Um conflito em torno da organização CS2 koNO tornou-se público depois de os jogadores Thomas “Birdfromsky” Due-Frederiksen e Johannes “b0RUP” Borup afirmarem que não recebiam salários há vários meses. Ambos os jogadores partilharam declarações detalhadas nas redes sociais e confirmaram que já não representam a organização. Segundo eles, a disputa envolve salários não pagos, obrigações contratuais e meses de negociações que não conseguiram produzir uma solução.
Os jogadores reclamam quatro meses sem salário
A situação tornou-se pública pela primeira vez através de uma publicação curta do b0RUP no X.
Birdfromsky e eu não fomos pagos pela koNO nos últimos quatro meses.
Pouco depois, Birdfromsky confirmou a situação e disse que a comunicação com a organização tinha cessado.
Até hoje, eu e a b0rup não recebemos qualquer pagamento, e a comunicação da organização foi interrompida. Por causa disso, decidimos partilhar publicamente o nosso relato da situação. Já não representaremos a koNO.
As publicações espalharam-se rapidamente pela comunidade Counter-Strike. Fãs e analistas começaram a discutir a situação e a perguntar o que tinha acontecido nos bastidores.
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Construir um núcleo VRS antes de aderir ao koNO

Num tópico mais longo, b0RUP explicou como o plantel se formava antes de assinar com a organização. Disse que Birdfromsky, keoz e ele próprio assinaram com a koNO em agosto de 2025. Antes disso, já tinham criado um núcleo competitivo com a vegi e a BODenmaster.
Os jogadores dizem que gastaram o seu próprio dinheiro para participar em eventos internacionais em LAN. O objetivo deles era melhorar a classificação regional da Valve (VRS) e qualificar-se para torneios como o CCT e o NODWIN. Esperavam que resultados mais sólidos atraíssem uma organização disposta a apoiar financeiramente a equipa. Eventualmente, a koNO abordou o elenco e ofereceu-se para adquirir o núcleo. No entanto, os jogadores dizem desde o início que tinham preocupações quanto à estabilidade do projeto.
Termos contratuais e garantias salariais
Para reduzir riscos, o plantel negociou fortes proteções contratuais. Segundo o b0RUP, o acordo incluiu vários pontos-chave:
- A organização não conseguiu rescindir o contrato durante os primeiros seis meses
- Posteriormente, a rescisão exigiu mais dois meses de salário
- O contrato não permitia reduções salariais caso os jogadores fossem colocados no banco
Devido a esta estrutura, os jogadores acreditavam que o contrato garantia pelo menos oito meses de salário integral. Esta proteção era importante porque o plantel já tinha investido o seu próprio dinheiro na equipa antes de assinar.
Os problemas começam em dezembro

Os primeiros problemas sérios surgiram no início de dezembro, quando a organização convocou uma reunião com os jogadores. Durante essa reunião, a equipa soube que o cptkurtka iria fazer um teste para outra organização. Enquanto aguardavam o resultado, o plantel ofereceu-se para continuar a jogar torneios. Também concordaram em procurar um substituto, se necessário. Naquele momento, existiam dois cenários:
- Se o Cptkurtka fosse transferido, a equipa contrataria um novo quinto jogador.
- Se regressasse, a organização planeava colocar Birdfromsky e b0RUP no banco para criar um plantel totalmente ucraniano.
Depois do Natal, a situação mudou novamente. Segundo o b0RUP, o cptkurtka transferiu-se, mas a organização escolheu um caminho diferente. Em vez de substituir um jogador, a koNO colocou o plantel restante em transferência e colocou-os no banco.
Início da disputa contratual
Após esta decisão, a b0RUP iniciou conversações diretas com o proprietário da equipa, Oleg, sobre a rescisão do contrato e pagamentos salariais. O contrato só permitia a rescisão após os primeiros seis meses. Também exigia pagamento pelo mês de rescisão mais um mês adicional. Como o contrato começou a 4 de agosto, a b0RUP argumentou que a rescisão antes de 4 de fevereiro violaria o acordo.
Mesmo depois dessa data, a organização continuaria a ter de pagar salários que abrangem março e abril. No entanto, surgiu rapidamente um novo desacordo. Segundo o b0RUP, o proprietário acreditava que os jogadores no banco deveriam receber metade do salário. No entanto, o contrato não continha tal cláusula.
Meses de negociações sem acordo
As negociações continuaram durante vários meses e muitas vezes abrandaram devido a respostas atrasadas. Durante este período, os jogadores dizem ter ouvido sugestões de que a organização poderia declarar falência. Essa possibilidade levantou receios de que os salários nunca fossem pagos. A certa altura, Birdfromsky e b0RUP ofereceram um compromisso. Concordaram em aceitar 50% do valor devido para resolver rapidamente o conflito.
A organização rejeitou a proposta. Mais tarde, os jogadores dizem que a koNO ofereceu 60% do salário devido, mas sob uma condição. Teriam de declarar publicamente que foi alcançado um acordo e que as declarações anteriores de Keoz sobre a situação estavam incorretas. Os jogadores recusaram a oferta.
Reação da comunidade
A história espalhou-se rapidamente pela comunidade Counter-Strike. Muitos adeptos expressaram simpatia pelos jogadores e frustração com mais uma disputa salarial não remunerada na cena do segundo nível. Algumas reações incluíram:
- “Smh… Lamento que estejam a ter de lidar com isto.”
- “Continuam a brincar juntos?”
Outros utilizadores reagiram de forma mais direta e simplesmente chamaram à situação “má gestão”.
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Mais um lembrete da instabilidade do nível 2
A situação do koNO volta a destacar um problema recorrente no Counter-Strike de nível 2: instabilidade financeira e relações pouco claras entre organizações e jogadores. O topo da cena continua a crescer com patrocinadores fortes e equipas estáveis. No entanto, organizações mais pequenas muitas vezes têm dificuldade em manter um financiamento consistente. Para jogadores que constroem as suas carreiras através do sistema VRS e de eventos internacionais mais pequenos, conflitos como este podem tornar-se um obstáculo sério. Por agora, Birdfromsky e b0RUP confirmaram que já não representam a koNO, enquanto a organização ainda não respondeu publicamente às acusações.

